A FORMAÇÃO NA BFC

A Biblioteca Freudiana de Curitiba tem por função zelar o tripé no qual se sustenta a formação do psicanalista, deixando claro a importância que há na realização de uma análise pessoal e de controle, assim como o estudo da teoria psicanalítica. Somente por esta via torna-se possível dirigir uma cura genuinamente psicanalítica. Oferecemos uma pluralidade de dispositivos onde além da transmissão da psicanálise, se abre a possibilidade que transpareça o percurso da análise de cada um e a emergência do desejo do analista. Dentre os seminários, grupos de estudo, espaços de trabalho e jornadas destacamos o cartel como um dispositivo privilegiado na BFC. O caminho a percorrer é inerentemente singular e tem como norte o desejo e não um modelo padronizado de formação, não havendo garantias pré- estabelecidas. Assim como em uma análise, os efeitos de formação surgem ao longo do caminho e encontram na Instituição um lugar de escuta e de reconhecimento do desejo.

Fica expresso para todos que a BFC não tem a menor intenção de intitular ninguém, pois isso seria acolher ao desejo de reconhecimento que vai na contramão da formação. Não é necessário, portanto, que seja endereçado a qualquer tipo de grado para acolher um pedido de nomeação, já que respeitamos o momento de formação e de autorização de cada um. Vale salientar que a autorização do analista é resultado de um processo de análise pessoal, onde resulta possível o surgimento do desejo do analista. Não se trata auto-titulação ou de uma “auto-(ri)tualização”, como diz Lacan. Esta autorização não advém do eu. Assim como o desejo do analista não corresponde ao desejo de ser analista, sendo este último um desejo como qualquer outro que o sujeito possa vir a manifestar. O desejo do analista é a função que torna possível o exercício da psicanálise. Neste ponto Lacan é taxativo: quem conduz a cura é o desejo do analista. Neste sentido, ainda sublinhamos que de forma alguma se trata de dar provas de um acúmulo de saber. Acreditamos que a autorização de um analista não passa por esta via, e sim de forma absolutamente singular, na medida em que tenham como base o tripé já estabelecido por Freud e subscrito por Lacan. Seguindo o aforismo lacaniano de que “o analista autoriza-se de si mesmo e por alguns outros”, concordamos que é função da Instituição, por via dos diversos espaços propostos acima, oferecer um lugar privilegiado de escuta a este processo que ocorre no privado e que assim, pode vir a se tornar público.