CLÍNICA

A clínica psicanalítica, costuma-se dizer, é solitária. E isto, no âmbito do analista frente a sua escuta e seu ato analíticos, é bem verdade.

Porém, no âmbito das instituições de transmissão e formação, desde sempre existem espaços para a discussão clínica.

Discussão compartilhada entre pares (que são verdadeiramente ímpares, quer seja pela trajetória sempre singular, quer seja porque não existe uma escuta padrão) que praticam e partilham dos mesmos referenciais conceituais.

Uma das funções destes espaços é manter, enquanto ensino, que a clínica nunca se fecha. Isto é, que ela é a porta aberta ao real que sempre interroga nossa teoria, nossa transmissão e nossas análises.

Como não poderia deixar de ser, então, ela envolve o praticante neste ato.

Neste ponto a clínica não é nada solitária.

Ou melhor, é quando devemos (sim, há uma dívida na transmissão) sair da solidão e do silêncio para avançar sobre este real, pondo palavras, nomeando, articulando conceitos.

Na BFC não podemos fazer diferente, se queremos seguir a bússola freudiana.